A Ação Climática Global avançará apesar do Presidente Trump

 


 

Fundación Avina, frente a decisão do Presidente dos Estados Unidos de excluir seu país do Acordo de Paris sobre as Mudanças Climáticas, e dadas suas implicações financeiras e políticas para o alcance das metas de redução das emissões de gás de efeito estufa e o compromisso de aumento da aposta climática que acordaram os países em dezembro de 2015, se soma àqueles que têm a convicção de que a decisão não colocará em risco a direção da mudança global por um desenvolvimento resiliente e baixo em emissões.

O novo regime climático já não tem retorno

A decisão do Presidente dos Estados Unidos estabelece um precedente pouco alentador, mas não deverá colocar em risco o consenso alcançado pelos outros 194 países parte da Convenção. O Acordo representa um aporte crítico para manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2°C e é indispensável para mobilizar os meios necessários que permitam reduzir o risco da segurança climática de milhões de pessoas.

Estados Unidos não será o único país que não aderiu ao Acordo. Tanto Síria como Nicarágua se negaram desde o princípio a assinar o compromisso. Contudo, a saída dos Estados Unidos tem implicações sensíveis para a agenda climática na medida em que põe a maior economia do planeta e o segundo maior emissor na contramão das metas consensuadas em Paris. A auto-exclusão dos Estados Unidos deve ser confirmada com base nos mecanismos e controles estabelecidos para esses casos, e gerará uma mudança nos papéis ao nível global, assim como modificações no financiamento climático. É esperado, por exemplo, que países como China, Índia e Canadá convertam esse episódio indesejado numa oportunidade para fortalecer sua liderança global e reforçar seus compromissos frente às mudanças climáticas.

O Acordo de Paris é uma peça central mas não isolada da agenda climática atual. Assinar o Acordo é o reflexo de que se alcançou um ponto de inflexão no qual a maior parte dos atores e setores da sociedade coincidem quanto à necessidade de transcender um modelo de desenvolvimento que é injusto, desigual e insustentável. A transição para um futuro resiliente, inclusivo e baixo em emissões é inevitável e a implementação dos compromissos assumidos em Paris avançam no trabalho conjunto de governos e atores não estatais. Chefes de Estado junto com líderes do setor privado, a sociedade civil, governos locais e a comunidade religiosa reafirmaram seu compromisso com o Acordo de Paris desde a sua entrada em vigor em novembro de 2016. Somente nos Estados Unidos, mais de 1000 empresários de todos os setores e uma grande quantidade de governos estaduais e locais expressaram seu compromisso com o Acordo.

 Uma oportunidade para América Latina

América Latina se beneficia fortemente com uma ação global frente às mudanças climáticas, reduzindo suas vulnerabilidades e potencializando seu crescimento econômico com infraestrutura resiliente e baixa em emissões. Ao avançar na implementação do Acordo de Paris, assegura investimentos de largo prazo que a posicionarão na fronteira das tendências econômicas. Alguns países da região percebem a oportunidade de assumir uma liderança inovadora na implementação do Acordo de Paris, como são os casos da Argentina, que tem sido um dos primeiros países do mundo a revisar seu NDC e fazê-lo de modo participativo, ou Costa Rica, que tem uma das metas mais ambiciosas do mundo em largo prazo.

Fundación Avina reitera seu compromisso com uma agenda climática global inclusiva

Fundación Avina tem sido pioneira na agenda de ação climática, trabalhando junto com o governo do Perú e a “Lima París Action Agenda”. Hoje, mais do que nunca, reafirma sua convicção, escalando a ação climática na América Latina através do ActionLAC e oferecendo apoio aos países na implementação do Acordo de Paris através do impulso ao acesso a recursos do Fundo Verde do Clima.

Fundación Avina reitera seu compromisso de seguir apoiando às populações mais vulneráveis do planeta que, como consequência da decisão do Governo dos Estados Unidos, estarão mais expostas aos impactos das mudanças climáticas.  Isso requerirá não somente fortalecer a ação climática mas também aumentar os esforços nas diferentes agendas que promovem uma transição justa para um desenvolvimento sustentável que garanta bem estar para toda a  população.

 

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