Negócios Inclusivos

Origens do conceito

 


Durante o século XX, o crescimiento das economias desenvolvidas gerou a maior quantidade de riqueza na história da humanidade, gerando por sua vez uma situação de desigualdade extrema com que hoje convivemos entre os países do norte e do sul, e internamente nos países em desenvolvimento. América Latina é a região de maior desigualdade econômica do mundo em termos de ingressos. 70% da população, aproximadamente 360 milhões de pessoas, têm um ingresso menor a $3,260 (PPP) per capita1 WRI, “The Market of the Majority: The BOP Opportunity of Latin America and the Caribbean”, Jun 2006., incapaz de satisfazer suas necessidades básicas, enquanto que 0.6% da população conta com ingressos altos.

A filantropia e a assistência , tradicionalmente tiveram un papel importante ao aliviar a situação de pessoas de baixos ingressos, mas somente puderam atingir a uma porcentagem mínima devido a seus limitados recursos financeiros e estruturas organizacionais. Os governos podem chegar a escala em suas ações para atender a populações de baixos ingressos, mas a ineficiência e inestabilidade que os caracteriza em muitos países não permite a continuidade de ações necessárias para ter um impacto duradouro.

Atualmente, as empresas estão atendendo apenas um terço da população mundial, e competem ferozmente em mercados saturados. Sabem que o posicionamento nos países em vias de desenvolvimento será crucial para sua sustentabilidade, e a competitividade será um fator que garanta seu êxito a largo prazo. Cada vez é mais evidente que os negócios não podem ser exitosos nas sociedades que fracassam, e que é necessário que as empresas participem na criação de sociedades pacíficas, estáveis e prósperas. As empresas podem ter impacto em escala, mas as ações de RSE não são suficientes e os incentivos do sistema econômico atual são um obstáculo para que estas sejam administradas sob um norte ético que busque a inclusão, a dignidade humana e o respeito por todas as formas de vida.

Na busca de soluções focalizamos cada vez mais a atenção as seguintes perguntas: Será possível utilizar os mecanismos do mercado para gerar valor social e inclusão, e aliviar esta situação grave de pobreza? Podem populações, comunidades ou grupos ser incluídos em uma cadeia de valor como meio para melhorar sua qualidade de vida? Podem os mecanismos de mercado ser aproveitados para prover serviços básicos essenciais a populações que carecem de acesso a estes? É possível gerar valor econômico e por sua vez contribuir a que os cidadãos com menores recursos possam exercer mais efetivamente seus direitos?

 

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