Iniciativa África: a Fundación Avina mostra experiências em gestão comunitária da água em Moçambique

 

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A Fundación Avina está em Moçambique trocando experiências relacionadas à gestão comunitária de água e saneamento com o objetivo de promover uma colaboração sul-sul entre a América Latina e a África.

Durante a visita, que teve início no dia 29 de junho e se estenderá ate 16 de julho, a Avina passa pelas cidades de Maputo, Lichinga e arredores, com o apoio de seu parceiro local Estamos, uma organização comunitária que atua em várias províncias do país.

A primeira iniciativa de intercâmbio ocorreu com a participação de Feliciano Santos, Diretor Presidente da Estamos, no VI Encontro Latino-Americano de Gestão Comunitária da Água, realizado no Chile em setembro.  Feliciano ficou impressionado com o nível de associatividade entre as organizações comunitárias de vários países.

A partir daí, a visita da Avina a Moçambique começou a ser planejada com o objetivo de conhecer melhor a situação do país, especialmente no tema de acesso à água, e promover uma oficina com gestores comunitários de água e organizações locais de apoio para mostrar essa experiência de associatividade na América Latina e promover essa perspectiva na agenda dos parceiros da Estamos.

“Estamos iniciando este encontro de articulação e intercâmbio com esses comitês de água e podemos avançar com os gestores comunitários de água da América Latina – a Confederação Latino-Americana de Organizações Comunitárias de Serviços de Água e Saneamento (CLOCSAS)”, disse Santos na quarta-feira durante o workshop “Fortalecimento das Lideranças de Água”.

O objetivo principal é fortalecer as capacidades dos Comitês de Água e criar uma rede de Comitê na província de Niassa.

“A proposta apresentada no referido workshop é baseada na adaptação de alguns módulos del Programa Unificado de Fortalecimiento de Capacidades módulos do Programa Unificado de Fortalecimento de Capacidades à realidade de Moçambique e na promoção de uma articulação entre os comitês de água das províncias”, ressaltou Telma Rocha, gerente programática da Fundación Avina que lidera esse encontro com Santos nessa visita ao continente africano.

O workshop contou com a participação de cerca de 30 membros dos Comitês de Água dos distritos de Mecula, Lago, Lichinga e Chimbunila no Centro de Desenvolvimento Rural Kuchijinji, na cidade de Lichinga.

Além disso, estavam presentes também técnicos de obras públicas e representantes de organizações que trabalham na agenda de água e saneamento.

A República de Moçambique possui 26.423.623 habitantes, com expectativa de vida de 53 anos, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística.

Os impactos dos 10 anos de luta contra os colonizadores que resultou na independência do país em 1974 conduzida pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) após 16 anos traumáticos de conflitos internos ainda estão muito presentes no povo moçambicano.

Moçambique está entre os países com os piores cenários de acesso a água e saneamento. Segundo dados da Unicef e da Organização Mundial da Saúde, apenas 49% da população moçambicana faz uso de fontes aprimoradas de abastecimento de água e 21% utiliza infraestruturas aprimoradas de saneamento. Mais de 40% da população defeca a céu aberto.

Trocando com o povo de Moçambique

Manuel AlfredoTivemos um encontro com o técnico Manuel Alfredo da Estamos que está realizando um trabalho de terra segura em Machomane, Litunde e Chambunila.

O objetivo do trabalho é delimitar as terras dos membros das comunidades, evitando assim conflitos futuros. Vale destacar que as pessoas constroem suas casas em uma área residencial que fica distante do local onde trabalham na produção de mandioca, tomate e outros produtos.

 

Litunde TelmaNa comunidade de Litunde

Telma Rocha teve a oportunidade de acompanhar um treinamento na forma de intercâmbio com ativistas sociais vinculados às associações de base comunitária: Associação Thandizo e Associação de Agentes de Mudança dos distritos de Majune e Lago. As lideranças voluntárias das comunidades atuam na agenda de saúde.

 

 

 ActivistasDiálogo com ativistas

Outra atividade realizada foi um diálogo com a comunidade, coordenado por três ativistas, para descobrir qual é a percepção da população em relação aos serviços prestados pelo hospital local. O nome desta atividade é CPC.  A comunidade reclamou da qualidade do serviço do hospital, do tratamento dado às mulheres em trabalho de parto e da falta de infraestrutura e materiais adequados. De posse dessas informações, os ativistas vão então ao hospital solicitar mudanças.

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