Energias renováveis para garantir água segura na Amazônia

Programa do governo federal incorporou oficialmente o uso de painéis solares para o abastecimento comunitário de água em comunidades amazônicas isoladas.

Inicialmente, os sistemas comunitários de abastecimento de água implementados pelo Programa Cisternas na Amazônia dependiam de geradores a diesel. Este combustível, além de caro e poluente, precisava ser armazenado em condições precárias em comunidades isoladas, representando riscos constantes. O acesso à água potável era restrito e dependia do transporte fluvial de suprimentos caros e pouco confiáveis. O Programa Cisternas do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) do Brasil incorporou oficialmente o uso de painéis solares autônomos (que operam independentemente da rede elétrica convencional) para o abastecimento comunitário de água na Amazônia nas Instruções Normativas da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan/MDS). Com essa decisão, os sistemas de bombeamento deixaram de depender de geradores a diesel ou gasolina, reduzindo custos, riscos de armazenamento de combustível e emissões poluentes. 

Fundación Avina desempenhou um papel importante na transição para a energia solar na região. Desde 2015, em parceria com a Xylem e a Fundação Coca-Cola, investiu mais de US$ 700.000 no Projeto Saúde e Alegria (PSA) para instalar 50 sistemas de abastecimento de água movidos a energia solar. Esse apoio melhorou o funcionamento de sistemas isolados da rede elétrica e reduziu substancialmente os custos de manutenção para as comunidades. Além disso, a Fundación Avina facilitou a colaboração entre o PSA e o MDS, consolidando uma parceria, em 2018, que posicionou o PSA como administrador do Programa Cisternas na Amazônia. A contribuição da Avina pode ser categorizada da seguinte forma: inovação, ao incentivar a aplicação da energia solar em contextos isolados; capital social, ao fortalecer o parceiro local do PSA, que mobiliza comunidades, organizações comunitárias locais e diversas entidades governamentais; e incidência, ao influenciar a adoção da energia solar nas políticas públicas federais de acesso à água por meio de sua parceria com o PSA. 

A medida não só transforma o cotidiano de milhares de comunidades amazônicas, como também estabelece um precedente em políticas públicas para o acesso sustentável à água potável. Esse progresso ocorre em uma região onde mais de um milhão de pessoas ainda não têm acesso a serviços básicos de água e energia. Historicamente, as comunidades isoladas de Santarém, Belterra, Itaituba, Óbidos e Oriximiná dependiam de barcos para transportar combustível para seus sistemas de água, uma prática cara e insegura. Desde 2018, o Projeto Saúde e Alegria, com sede em Santarém, implementa as tecnologias sociais do Programa Cisternas na região. Isso beneficiou diretamente 

1.239 famílias em 50 comunidades, 20 das quais já possuíam sistemas de bombeamento solar, demonstrando que é possível reduzir o consumo de diesel em até 90%. Essas experiências foram decisivas para que o Ministério do Desenvolvimento Sustentável (MDS) atualizasse as quatro normas relacionadas a tecnologias sociais, incorporando a energia solar como padrão. O Programa Cisternas inclui oito modelos de tecnologias sociais adaptados a diferentes contextos amazônicos, como comunidades de altiplano ou de várzea. 

Atualmente, a PSA está implementando 1.293 soluções em Santarém, Óbidos e Oriximiná, em um processo que se estende por todo o território amazônico, consolidando um importante passo na sustentabilidade energética e na disponibilidade de água potável.