By Published On: setembro 7th, 2026Categories: NOTÍCIAS4,6 min read

De 31 de agosto a 2 de setembro, aconteceu na Cidade do México o encontro Clima e Cuidados: Experiências do Sul Global, um espaço de intercâmbio, aprendizagem e construção coletiva que reuniu 45 participantes de 19 países para fortalecer uma agenda comum na intersecção entre a mudança climática e os cuidados. Impulsionamos o encontro junto a CLACSO, à Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), Trenzando Cuidados, à Aliança Global pelos Cuidados e à Iniciativa Clima e Cuidados, convocadas pelo Centro de Pesquisas para o Desenvolvimento Internacional do Canadá (IDRC), reunindo organizações da sociedade civil, academia, organismos internacionais e representantes de diversas regiões do Sul Global. 

Durante os dois primeiros dias do encontro, as organizações buscaram construir um futuro comum a partir de diferentes latitudes, baseado em evidências de estudos e projetos. Entre elas estão a Fundação Barranquilla+20 (Colômbia), o Centro de Direitos da Mulher de Chiapas e Mulher e Meio Ambiente (México), Muungano Rural Empowerment Centre (Quênia), REACH Caribbean Hub on the Climate and Care Nexus (Caribe), Kaschak Institute for Social Justice for Women and Girls (Estados Unidos), Policy Center for the New South (Marrocos), Public Services International (Equador), Aga Khan University for Social Justice for Women (Quênia), DharmaLife Foundation (Índia), UNRISD, além de equipes de pesquisa da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, e da Universidad de San Martín, na Argentina. 

Essas experiências permitiram identificar desafios comuns, evidências emergentes e oportunidades para fortalecer a incidência coletiva em torno do clima e dos cuidados. 

“Depois de vários anos de investimento de fronteira do IDRC na Iniciativa Clima e Cuidados (CCI), e mais recentemente com a criação de hubs regionais para dar continuidade a esse trabalho, este encontro representa uma oportunidade fundamental para consolidar uma comunidade global de prática e incidência em torno da agenda de clima e cuidados. Reunir pesquisa, liderança, política e financiamento contribui para transformar evidências e aprendizagem coletiva em uma agenda capaz de colocar os cuidados no centro da ação climática e da justiça climática.”Carolina Robino, Senior Program Specialist no IDRC 

O intercâmbio confirmou que as comunidades, especialmente as mulheres e organizações de base, já estão desenvolvendo respostas cotidianas frente aos impactos climáticos por meio de redes de apoio, práticas comunitárias e sistemas de cuidado que permitem sustentar a vida. Por isso, enfatiza-se que os cuidados constituem uma infraestrutura social fundamental para enfrentar os efeitos da mudança climática e fortalecer a capacidade de adaptação e resiliência das comunidades. 

Entre os principais consensos alcançados durante o encontro, as organizações concordaram que os sistemas de cuidados são essenciais para as estratégias climáticas e que seu fortalecimento requer garantir trabalho decente, direitos laborais, representação coletiva e o reconhecimento das contribuições de povos indígenas, comunidades locais e pessoas cuidadoras. Além disso, apontaram que a sustentabilidade desses sistemas depende de que sejam concebidos a partir de uma abordagem de direitos humanos e justiça social. 

Outro dos chamados compartilhados foi a necessidade de transformar a forma como as respostas climáticas são financiadas. As organizações participantes destacaram que o financiamento climático deve ser mais direto, acessível e adequado para os países e comunidades mais afetadas pela crise, evitando mecanismos que aprofundem o endividamento. Nesse contexto, ressaltaram que investir em sistemas de cuidados constitui uma estratégia econômica necessária para sustentar a vida, fortalecer a adaptação e acompanhar modelos de desenvolvimento de baixo carbono. 

As discussões também destacaram a importância de integrar o cuidado nas políticas climáticas de forma transversal, com ênfase nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), nos Planos Nacionais de Adaptação, na gestão de risco de desastres, nos sistemas de proteção social e nos marcos de financiamento climático. As organizações enfatizaram que essa integração deve se traduzir em metas, indicadores e mecanismos verificáveis que permitam medir avanços concretos. 

Por fim, o encontro reafirmou que qualquer transição para sociedades mais sustentáveis requer reconhecer, reduzir e redistribuir o trabalho de cuidados, além de garantir sua remuneração, representação coletiva e investimentos em infraestrutura de cuidados. As pessoas participantes concordaram que colocar o cuidado no centro das políticas climáticas não é apenas uma questão de igualdade de gênero, mas uma condição indispensável para a sustentabilidade da vida e a construção de futuros mais justos. 

“É fundamental porque as mulheres e as meninas no mundo realizam centenas de milhares de horas relacionadas à forma de cuidado das pessoas no lar, do cuidado do ambiente. Mas, sobretudo, são essenciais para enfrentarmos a mudança climática, tanto para a adaptação quanto para a mitigação.”Lorena Aguilar, Diretora Executiva do Instituto para o Empoderamento de Mulheres e Meninas da Universidade de Binghamton 

Além de compartilhar resultados e aprendizados, o encontro permitiu avançar na construção de uma estratégia coletiva de incidência que fortalecerá a articulação entre organizações, academia e atores internacionais, com vistas a posicionar a agenda de clima e cuidados em espaços globais e regionais de tomada de decisão.