By Published On: setembro 19th, 2025Categories: NOTÍCIAS3,6 min read

De 15 a 19 de setembro de 2025, a Fundación Avina participou do Fórum Regional das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos na Ásia, realizado em Bangkok, Tailândia. Mais de 1.200 representantes de governos, empresas, sindicatos e organizações da sociedade civil se reuniram sob o lema "Consolidando avanços e fortalecendo a liderança regional em direitos humanos em contextos de crise".  

As vozes dos trabalhadores

Nesse contexto, Fundación Avina, em colaboração com organizações aliadas que fazem parte do Fundo para a Democracia e o Trabalho, organizou a sessão "Colocando no centro as vozes das pessoas trabalhadoras na devida diligência e reparação das cadeias de suprimentos no Sudeste Asiático".   

Durante o painel, o Forum Silaturahmi Pelaut Indonesia (FOSPI), The New Factory, Perkumpulan Sembada Bersama Indonesia e o Centro de Informação sobre Empresas e Direitos Humanos (BHRRC, na sigla em inglês) foram protagonistas da discussão em torno das experiências e do papel de trabalhadores migrantes e informais de setores como têxtil, pesca e mineração de níquel no Sudeste Asiático na implementação da devida diligência em direitos humanos. 

Por meio de seus depoimentos, foram identificadas barreiras estruturais que os excluem dos processos de devida diligência e reparação, junto ao público participante foram cocreadas recomendações para transformar esses processos desde a base. 

Depoimentos que mobilizam 

  • Alia Sarastita (The New Factory) compartilhou como a informalidade invisibiliza mais de 50% da força de trabalho no setor têxtil na Indonésia. Sua organização impulsiona cooperativas para que trabalhadores possam definir padrões coletivos e ser reconhecidos pelas marcas. 
  • Achmad Mudzakir (FOSPI) denunciou a falta de conectividade que impede pescadores migrantes de se comunicar ou denunciar abusos. Sua campanha "Wi-Fi Now for Fishers' Rights at Sea" exige acesso universal ao Wi-Fi como um direito trabalhista. 
  • Abu Mufakhir (Sembada Bersama) expôs as condições extremas nas fundições de níquel, onde mais de 200 mortes foram documentadas em seis anos. As mulheres enfrentam turnos noturnos de 12 horas em ambientes hostis, com graves consequências para sua saúde física e mental. 
  • Piseth Duch (BHRRC) apresentou uma visão crítica sobre a lacuna entre políticas corporativas e sua implementação real, sublinhando a necessidade de incluir trabalhadores nos processos de monitoramento e reparação. 

Recomendações a partir da prática 

Os grupos de trabalho formados durante a sessão, compostos por uma diversidade de atores, geraram propostas inspiradas nos casos apresentados: 

  • Desenho de processos: Auditorias lideradas por trabalhadores, transparência nos relatórios e feedback contínuo. 
  • Monitoramento e reparação: Plataformas tecnológicas acessíveis e multilíngues, adaptadas às realidades dos trabalhadores. 
  • Políticas públicas: Reformas legais que reconheçam representantes de trabalhadores, integrem a devida diligência no registro de empresas e promovam maior transparência comercial. 

Problemas semelhantes e o papel da Ásia

Giselle Baiguera, dos programas de Inovação Laboral e Economia Circular Inclusiva da Fundación Avina, destacou:
"Foi muito valioso ouvir diferentes atores comprometidos com a defesa dos direitos trabalhistas na Ásia, que enfrentam problemáticas semelhantes às da América Latina: informalidade, baixos salários e cadeias de suprimentos pouco transparentes. A relevância geopolítica da Ásia, seu papel na economia global e sua densidade populacional a tornam um espaço chave para influenciar os padrões internacionais de empresas e direitos humanos, e para construir uma visão integral do Sul Global."  

Próximos passos 

A sessão deixou claro que as soluções existem e estão sendo lideradas pelos próprios trabalhadores. Reconhecer seu conhecimento como evidência válida, financiar inovações comunitárias e exigir reformas legais são passos urgentes para avançar rumo a cadeias de suprimento mais justas. 

Fundación Avina e organizações aliadas irão compilar as recomendações em um documento de síntese que será compartilhado com os participantes e organizadores do Fórum, garantindo que as vozes e reflexões não se percam.