
Em 29 de outubro é celebrado o Dia Internacional do Cuidado e do Apoio, uma data que busca dar visibilidade à importância do cuidado e ao seu papel essencial na igualdade social e de gênero, no desenvolvimento econômico e na construção de sociedades resilientes e inclusivas.
De acordo com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), se o trabalho doméstico e de cuidado fosse contabilizado, representaria mais de 20% do PIB da região. Isso demonstra que o cuidado é uma infraestrutura essencial, mas invisível, sustentada principalmente por mulheres, que dedicam três vezes mais tempo que os homens a tarefas não remuneradas, segundo a ONU Mulheres.
“Priorizar o cuidado das pessoas e do planeta é uma urgência estratégica por seu impacto simultâneo em três das crises mais graves do nosso tempo: a desigualdade, a erosão da democracia e a crise climática — apostando em um futuro mais justo e sustentável para todas as gerações.”
— Valentina Zendejas, Responsável País México – Fundación Avina.
Na Fundação Avina, reconhecemos que o cuidado atravessa todas as dimensões da dignidade humana e do cuidado com o planeta. Por isso, integrar uma perspectiva de cuidado em todas as nossas agendas e impulsionar mudanças com nossas aliadas, aproximando-nos de sociedades do cuidado, é uma de nossas prioridades. Estas são algumas das interseções fundamentais:
Cuidado e ação climática
As crises climáticas intensificam desigualdades existentes, e o cuidado não é exceção. Em contextos de desastres naturais ou escassez de recursos, as infraestruturas de cuidado são afetadas, multiplicando as tarefas — especialmente para as mulheres. Por isso, a adoção de uma ação climática que incorpore o cuidado é parte da resiliência climática de uma comunidade.
A “dupla jornada” das mulheres
A distribuição desigual do trabalho de cuidado, baseada na divisão sexual do trabalho e nos papéis de gênero tradicionais, gera sobrecarga para mulheres e meninas. Essa carga limita seu acesso a oportunidades de trabalho, educação e participação política. Reconhecer essa realidade é essencial para promover políticas que estimulem a corresponsabilidade social e a equidade de gênero.
Trabalho digno
As trabalhadoras de cuidado remunerado — como domésticas, cuidadoras de idosos, pessoas doentes ou crianças — frequentemente enfrentam condições precárias, sem acesso a direitos trabalhistas e proteção social. Garantir condições dignas é um passo fundamental para reduzir desigualdades de gênero e sociais.
A dívida histórica dos sistemas integrais de cuidado
A ausência de sistemas integrais de cuidado perpetua desigualdades de gênero e sociais, ao gerar um déficit de cuidado suficiente e de qualidade para quem precisa. É urgente construir modelos corresponsáveis, nos quais Estado, setor privado e comunidades compartilhem a responsabilidade do cuidado.
Atender à agenda do cuidado exige uma transformação sistêmica. A seguir, algumas ações-chave:
- Reconhecer o cuidado como trabalho, direito e pilar da sustentabilidade da vida.
- Redistribuir responsabilidades entre Estado, famílias, mercado, comunidades e entre homens e mulheres.
- Reduzir o tempo e a carga desigual de cuidado, ampliando serviços públicos e políticas de tempo.
- Recompensar com trabalho digno, proteção social e remuneração justa quem cuida.
- Garantir representação de pessoas cuidadoras nas decisões que as afetam.
- Reorganizar a economia e as políticas públicas para colocar a vida no centro, e não o lucro.
- Ressignificar o cuidado como prática coletiva, ecológica e de interdependência.
- Reparar desigualdades históricas de classe, gênero, raça e território que sustentam a divisão sexual do trabalho.
Sigamos promovendo essa conversa e as ações necessárias para construir sociedades mais equitativas e justas. Na Fundação Avina, seguimos impulsionando transformações com alianças como Climate and Care Initiative, Unidas, Aguas Comunes, Periplo Chile e SURGE, entre outras.




